Os relatos de viagem ilustram como o sentido do lar e do outro é produzido e transformado.

A ligação entre viagem e busca de conhecimento é clara e transcende as fronteiras culturais e históricas; assim, a BibliASPA possui uma linha de pesquisa sobre “Narrativas de viagem como metáfora da busca pelo conhecimento”.

As fronteiras da América do Sul e dos países árabes e africanos são permeáveis, atravessadas por viajantes cujas trajetórias revelam características comuns na produção transcultural do conhecimento.

As narrativas de viagem são atos de tradução, práticas de ver, fazer, fazer-se ver, ouvir e fazer-se ouvir.

Aqui se apresentam relatos sobre países sul-americanos, árabes e africanos:

 América do Sul 

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Países Árabes

As riquezas da Tunísia

A Tunísia é um país cheio de bons motivos para ser visitado. Realçam-se, acima de tudo, seus aspectos históricos, resultado da forte presença dos diferentes povos que por aqui passaram. Foi por esses motivos que decidimos visitar este país e partir na aventura. Um país pequeno, mas completamente maravilhoso. Assim é a Tunísia, nação estabelecida no norte da África e que reúne atrações fascinantes em uma área um pouco maior que a metade do Estado de São Paulo.

Da costa azul do Mar Mediterrâneo até o Deserto do Saara há um mundo diferente do nosso no sentido geográfico, populacional e cultural. Por lá é possível ver ruínas do Império Romano, muitas em melhor estado de preservação do que as que existem em Roma, belas cidades iluminadas pelo sol escaldante, mesquitas, medinas (cidades antigas, cercadas por muralhas, com moradias e comércio), aldeias cavadas na pedra, dromedários, desertos e oásis.
Reserve pelo menos uma semana para conhecer a Tunísia. Existem guias especializados que fazem questão de deixar o turista muito bem informado. Os hotéis são excelentes e o atendimento é ótimo. Se você dispõe de tempo e dinheiro, uma boa pedida é se hospedar em um dos diversos resorts luxuosos que ficam na belíssima Praia de Hammamet. Por lá a vida noturna é marcada pela agitação dos cassinos.
Um vôo partindo de São Paulo até a capital Túnis dura cerca de 11 horas. Já no aeroporto, o turista é surpreendido por uma decoração suntuosamente oriental.
Uma parada obrigatória é a cidade de Monastir. Não deixe de visitar o mausoléu de Habib Bourghiba, construído por ele mesmo muito antes de sua morte.
A apenas meia hora da capital, na orla do Mediterrâneo, está Cartago. Tombada pela Unesco em 1972, a cidade é importante para a história da humanidade e guarda vestígios do passado de glórias da Tunísia. Visite a cidade sem pressa, fotografe as ruínas, aprecie as colunas e arcos das construções ainda intactas. Mais recentemente Cartago foi reconstruída e abriga hoje o palácio presidencial, além de mansões pintadas de branco, onde vive a alta sociedade.
Perto da cidade de Tataouine está Chenini, um povoado com pouco mais de 100 famílias berberes que vivem como seus antepassados, em casas semitrogloditas, totalmente cavadas nas montanhas.
Chegando a Douz, a atração principal são os dromedários. Por lá os turistas podem andar pelo Deserto do Saara montados nesses animais.
A Ilha Jerba também é sensacional. Para chegar até lá é preciso pegar uma balsa que parte do porto de Gabes. A ilha é apontada por muitos como o ponto alto do turismo da Tunísia. Cercada pelo mar azul-turquesa, a Ilha é habitada pelos jérbios, que vivem da pesca, principalmente do polvo. No interior da ilha está a Sinagoga de Agribe, a mais antiga do país.
Mesmo sendo um país liberal, o turista estrangeiro tem de tomar alguns cuidados para não ser mal interpretado. Na Tunísia predomina-se a religião mulçumana, por isso se vista com roupas bem comportadas. Pechinchar faz parte da cultura, você pode comprar um produto com até 90% de desconto. O clima do deserto é seco e quente, não esqueça de levar protetor solar. Não beba água da torneira, compre água mineral. Não existe adoçante; se você gosta, leve na mala.

A cozinha tunisiana tem pratos maravilhosos, não deixe de experimentar o kus-kus, um prato feito com farofa, frango e batatas. Os idiomas da Tunísia são o árabe e o francês.

Por estes e outros muitos motivos vale a pena conhecer a Tunísia, este país árabe que está descobrindo o valor do turismo e conquistando pessoas de todo o mundo. Boa viagem!

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Claudia Mohamed, muçulmana de família marroquina, formada em turismo, fotógrafa profissional e escritora apaixonada pela Tunísia.

 

 

“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver.”

Amyr Klink, em Mar sem fim

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