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Livro: Rio das Flores

Autor: Miguel Sousa Tavares

 

Epígrafe

“Em boa verdade, nem o pai nem a mãe lhe tinham pedido a sua opinião para aquela viagem. Ninguém lhe perguntara se ele queria ir ou se preferia ficar. Um dia, estavam à mesa a jantar e o pai anunciou simplesmente que iria à Feria de Sevilha com o Joaquim da Vila. E, então, fixara-o como se há muito não o visse e perguntara:
– E tu, Diogo, que idade tens agora?

– Fiz quinze em Junho, meu pai.

-Hum, já tens idade para te fazeres homem. Vens conosco também.
Ele olhara para a mãe em busca de auxílio, mas ela baixara os olhos, como se o pai tivesse dito alguma coisa que a envergonhasse. E assim a sua partida fora decidida, sem mais conversa.”

Sinopse

Uma das prosas mais belas que já tive o prazer de ler, a narrativa de Rio das Flores, que conta a história de três gerações da família Ribera Flores, se inicia em 1915 com a primeira República portuguesa e os embates com os monarquistas, percorrendo os principais acontecimentos políticos, sociais e culturais que marcaram Portugal, Espanha, Alemanha e o Brasil até o final da Segunda Guerra Mundial. Filhos do monarquista e grande proprietário de terras alentejano Manuel Custódio, Diogo e Pedro protagonizam pólos opostos no seio familiar, mas que são reflexo dos acontecimentos externos. O primeiro, intelectual e absolutamente contrário aos totalitarismos, quer a mudança e decide deixar a mulher, as terras do clã e Portugal salazarista para começar vida nova ao lado de uma mulata numa fazenda no Vale do Paraíba, no Brasil, em pleno Estado Novo. Pedro, no entanto, quer assegurar a permanência de sua posição de latifundiário.

Comentário sobre o autor

Jornalista português, Miguel Sousa Tavares nasceu no Porto. Depois de se ter licenciado em Direito, exerceu advocacia durante doze anos, mas abdicou definitivamente desta profissão para se dedicar em exclusivo ao jornalismo.