Dados devem levar autoridades públicas e sociedade civil mundial a um alerta sobre esse quadro alarmante

Texto: Júlia Rodrigues

Apesar de ser o segundo tipo mais comum entre as mulheres, o câncer de mama tem um bom prognóstico se for detectado logo no estágio inicial. A análise de estudos recentes revelou que o tratamento precoce pode fazer com que as chances de cura cheguem a 95%.

Essa informação diz respeito a pesquisas feitas com a população mundial geral. Quando destrinchados, os números revelam que a esperança de vencer a doença só existe, praticamente, em países desenvolvidos.

Enquanto no continente americano 80% das mulheres sobrevivem, na África, o percentual cai pela metade. A principal causa é a dificuldade de diagnóstico. Em grande parte das vezes, as africanas só procuram ajuda médica quando o tumor já cresceu tanto que chega ao tamanho de uma bola de tênis e não pode mais ser curado.

Isso porque povoados carentes só têm conhecimento sobre epidemias mais comuns nessas regiões, como é o caso da AIDS e da malária. Com a evolução do tratamento dessas enfermidades, a população está envelhecendo e se deparando com uma doença até então desconhecida: o câncer.

Além do mais, quando as pacientes se dão conta de que precisam de ajuda, é difícil encontrar um médico capacitado. A Etiópia, por exemplo, tem menos de dez oncologistas para atender uma população que supera os cem milhões de habitantes.
Nos raros casos elegíveis para tratamento, o caminho não é nada fácil.

Para se ter uma ideia, dezenas de países da África não têm sequer um equipamento moderno de radioterapia. As consequências são graves: as africanas quase sempre são submetidas à mastectomia – procedimento realizado com muito menos frequência em países desenvolvidos.

A retirada total da mama não mexe apenas com a autoestima delas. Muitas são abandonadas pelos parceiros e não são raros os casos em que elas precisam manter segredo, pois existem povoados que acreditam que mulheres com apenas um seio podem ser bruxas.

E engana-se quem pensa que os alarmantes números do câncer atingem só as mulheres africanas. Um levantamento recente realizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou que das 8,8 milhões de pessoas que morrem todos os anos em decorrência de algum tipo de tumor, 70% vivem em países de média e baixa renda.

Estima-se que, atualmente, o câncer mate cerca de 450 mil africanos todos os anos. E as previsões da OMS são pessimistas: até 2030, esse número deve chegar a um milhão.

 

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